Novo Tema: Dose Diária

Em 14.03.2017   Arquivado em Blog

   Quem visitou o blog desde o post passado percebeu que o blog estava passando por algumas mudanças no visual. As alterações finalmente foram concluídas (pelo menos eu acho que não esqueci nada, se esqueci por favor me dê um toque), e esse é o visual que eu o blog vai ter até eu enjoar e ter paciência para fazer outro.

Da esquerda para direita: Alenthus XR 75 e 150g (antidepressivo e ansiolítico), Vincy (anticoncepcional) e Aristab (antipsicótico/estabilizador de humor). Meus remédios de obrigatoriedade diária.

   A cor escolhida para o design foi o azul turquesa, cor do ano de 2010 e cor muito próxima da cor da parede do meu quarto dando um toque de intimidade ao blog.

   Se você não adivinhou, essa garrafinha no header representa uma embalagem de remédio, como as de medicamentos manipulados ou vitaminas (como a do pharmaton que eu tomo para minha anemia crônica)… E esse é basicamente o novo tema do blog, excêntrico não?

   A inspiração veio de um post no tumblr da Elisa Lam (e para quem não conhece, tem um post aqui no blog dedicado ao mistério da morte dela) onde ela mostrou o coquetel de remédios que ela tomava contra depressão e disse:

   Os médicos gostam de fazer a analogia da diabetes e insulina (eu recebo esse exemplo toda vez que eu disaprovo).
   Se eu fosse diabética e não tomasse insulina teria a chance de ter hipoglicemia* (?)
   Mesmo com esses remédios eu não estou “curada”. Ao contrário da insulina, essas pílulas não são consistentes. Elas funcionam em uma semana e no outro dia não, e eu vou estar em queda livre em um espiral descendente.
   Não tem manifestação física da minha “doença”. Se eu parasse de tomar eles, a pior coisa que aconteceria seria uma dor de cabeça.
   Eu me tornaria psicótica e tentaria acabar comigo? Eu duvido bastante disso. Para outras pessoas, sim, tem uma grande chance de que isso aconteça, mas eu não faria nada precipitado como pular de uma ponte. Eu sou covarde demais. Em vez disso eu vou simplesmente deitar na minha cama deixando os dias passarem. Essa é a minha manifestação física, dormir por dias na cama.
   É tão ruim assim ficar na cama o tempo todo? Talvez eu seja um pouco agorafóbica e me escondo em minha casa. Eu estou perfeitamente confortável aqui, por que eu deixaria minha casa para encarar o mundo?
   Dadas as opções A) Sair da cama na chuva e ir para a escola B) Continuar de pijama jogando video games, claro que eu vou escolher b quando eu sei na minha cabeça que eu devia estar escolhendo a.
   OH ESPERE. Fazendo isso você nunca vai mudar e nunca será capaz de dominar seu medo. Oh graciosa bondade, não!!
   Estou com raiva por não poder fazer a escolha certa. Você deveria ser um herói e fazer a coisa difícil, não pegar o caminho fácil como o vilão. Eu sou convencida facilmente. Eu quero a menor quantidade de trabalho. Eu choramingo, eu fungo e eu bato meus pés e evito como uma criança fazendo birra.
   Na depressão aparentemente você é responsável e capaz de fazer escolha para melhorar. Na diabetes você não tem outra escolha e de repente não é mais diabético.
   Então isso significa que eu sou deprimida porque eu sou incapaz de fazer a escolha certa? Eu não estou preparada para aguentar os altos e baixos da vida? Eu pensei que todo mundo lutasse com a vida, mas por que não estamos todos em anti-depressivos se isso torna mais fácil lidar com a vida?”

   Então resolvi trazer essa reflexão através desse tema.

   Minha mãe age como se o remédio fosse mágico que nem as pílulas falantes do doutor caramujo, foi só tomar e Emília estava tagarelando para o resto da vida. Infelizmente antidepressivos e ansiolíticos são bastante instáveis, levam meses de efeito colateral para adaptar e como Elisa disse, funcionam normalmente numa semana e de repente no outro dia você cai na bad de novo. Mas com esse tema eu não quis reduzir a importância do remédio no tratamento contra problemas psicológicos, e sim celebrar a chance que eles nos da de voltar a viver com certa normalidade. Alguns dias com menos sorte que outros, mas recomeçando sempre que possível. Pessoal, esse anos vamos todos melhorar juntos!

E aí, gostaram do novo visual?

* Acredito que ela quisesse dizer hiperglicemia, mas ficou confusa e por isso usou o “(?)”

Saúde Mental e Caso Elisa Lam

Em 04.10.2016   Arquivado em Special Dates

Aviso de Conteúdo: Contém representação e/ou descrição de violência e morte, além de discussões sobre doença mental.

   Dia 10 de outubro é o dia mundial da saúde mental, e em pró da conscientização eu resolvi falar sobre um caso super famoso e a mistificação da doença mental: Elisa Lam era uma jovem canadense cujo corpo foi encontrado na caixa d’água do hotel em que ela tinha estado hospedada em LA em 2013. O caso se tornou famoso devido a um vídeo da câmera de segurança do hotel liberado na época em que ela estava desaparecida (antes do corpo ser encontrado) supostamente “na esperança de que alguém reconhecesse ela”. Elisa tinha transtorno bipolar e tomava remédios para isso, sua doença foi apontada como “contribuinte, mas não relacionada” ao provável acidente que levou a sua morte.

Elisa Lam não foi assassinada pelo bicho papão ou por um hotel assombrado, ela deixou de tomar seus remédios, teve uma surto psicótico e acessou a cobertura, encontrou o tanque de água e morreu”.

[Procurador, Thomas Johnston, durante o julgamento do processo de negligência por parte do Hotel Cecil] (via)
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